Poucas decisões carregam tanta esperança quanto se mudar para um lugar novo. Uma nova cidade, ou um novo país, promete um recomeço, outro ritmo, uma vida que combine mais com você. Às vezes a mudança cumpre exatamente isso. Às vezes você chega e descobre que aquilo de que queria se afastar veio junto na mala.
Antes de perguntar se vale a pena morar fora ou mudar de cidade, vale entender para que a mudança serve de verdade.
Separe o que empurra do que atrai
Toda mudança tem duas forças por trás. O que empurra é aquilo de que você quer se afastar: um emprego, um relacionamento, um clima, um sentimento. O que atrai é o que puxa você para o lugar novo: pessoas, oportunidades, um jeito de viver.
Escreva as duas listas. Se a lista do que empurra é longa e a do que atrai é curta, cuidado: talvez você esteja tentando resolver com geografia algo que a geografia não alcança. Se o que atrai é forte e específico, é um bom sinal.
Perguntas para se fazer
- Estou fugindo de algo ou indo em direção a algo?
- Como eu imagino, exatamente, os meus dias comuns lá?
- O que vai continuar igual, porque eu vou continuar sendo eu?
- De quem vou sentir falta, e como vou manter essas pessoas na minha vida?
- O que precisaria acontecer para essa mudança parecer um erro daqui a dois anos?
- Se eu ficar, o que precisaria mudar para que ficar parecesse uma escolha?
Conte os custos escondidos
Os custos visíveis são fáceis de listar: aluguel, passagens, visto, procurar emprego. Os escondidos são mais fáceis de subestimar:
- Pertencimento. Pode levar anos para construir amizades como as que você tem hoje.
- Idioma e pequenos atritos. Cada ida ao banco e cada consulta médica dão mais trabalho.
- Distância da família. Ela pesa mais justamente nos momentos que não dá para planejar.
Nada disso é motivo para não se mudar. É motivo para se mudar de olhos abertos.
Teste antes de se comprometer
Sempre que possível, experimente a vida nova antes de escolhê-la:
- Passe uma temporada lá, não as férias. Trabalhe, faça compras e viva uma semana comum.
- Converse com quem se mudou para lá há cinco anos, não há cinco meses.
- Escreva duas cartas curtas, datadas de daqui a um ano: uma da pessoa que você seria se tivesse ido, outra da pessoa que você seria se tivesse ficado. Repare qual delas é mais difícil de escrever, e por quê.
Decidir sem certeza
Você não vai ter certeza, e esperar por ela já é uma decisão. O que dá para ter é clareza sobre o que você está escolhendo e por quê.
Se você muda de ideia toda hora, traga a pergunta para a Ruta. Escreva com suas palavras, e a Ruta faz uma pergunta de cada vez, seguindo o que você diz, até ficar mais claro o que cada opção protege e quanto cada uma custa. No fim, o que a Ruta viu dá nome ao padrão por trás da decisão e a um próximo passo que você pode dar nesta semana.
Indo ou ficando, a melhor decisão é a que você tomou por motivos que entende.